Dani Tabalipa

Como levar cachorros para União Europeia

Passo 1

A decisão de viajar com o seu cachorro

 

Devo levar o meu cachorro pra viagem?

A decisão de levar o seu animal de estimação pra uma viagem deve ser bem cuidadosa. E deve ser unicamente sua!

Quando eu ganhei a minha cachorrinha Penélope, ela virou minha meu bebezinho e eu nunca tive coragem de ir morar em outro lugar e deixar a minha filhota pra trás. Sou muito apegada à ela e me sinto responsável enquanto ela viver.

Meu objetivo não é julgar quem já viajou e deixou seu cãozinho ou até mesmo o filho com alguém. Cada um sabe o que é melhor pra a sua família e cada caso é um caso.
Só penso que, se você precisa deixar seu pet pra trás, deixe com alguém responsável. Digo isso porque já vi casos de abandono de cachorros na minha cidade.

Viajar com um cachorro traz algumas limitações e exige uma tremenda burocracia, então você deve pesar e colocar na balança se vale a pena. No meu caso, nem pensei duas vezes, onde eu for, a Penélope vai comigo.

Em 2005 morei nos Estados Unidos e a Pepe, que estava com 2 anos, foi também. Não me arrependi nem por um segundo. Agora estamos indo pra a Europa e, quando fui para lá na primeira vez de férias, logo vi que a vida de cachorros é bem mais fácil do que na América. Por isso, levar ela foi uma decisão automática.

 

Dá trabalho?

Muita gente vai ser contra a sua decisão de levar seu cachorrinho numa viagem. Vai falar o quanto vai sair mais caro, que vai te trazer limitações, etc.

Está dando trabalho? Sim, está! Mas quem não quer ter trabalho não pode ter animais de estimação, não é mesmo?!? E cá entre nós, a recompensa de ter esses bichinhos por perto é gigante.

Se você quer mesmo, pode encarar que é possível. Eu vou servir de prova!

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Passo 2

A implantação do microchip

Quando viajei com a Penélope para os Estados Unidos não foi necessário implantar um microchip. Mas para a União Europeia a implantação é obrigatória.

 

O que é um microchip?

Resumidamente o microchip é um aparelho eletrônico com o formato e tamanho de um grão de arroz. Ele é implantado com uma seringa sob a pele do cachorro. A implantação é indolor, a Pepe só sentiu uma picada.

Ao contrário do que muita gente pensa, o microchip não é um GPS. Ele é como se fosse um código de barras, ou seja, meu cachorro passa a ter um número de identificação. Na verdade, é uma versão moderna das tatuagens, muito usadas em gados.

Se a Penélope se perder de mim, ela será recolhida e encaminhada para um canil, que com um leitor especial (semelhante a um leitor de código de barras) vai identificar o número dela. Então eles entram em contato com o fabricante do chip (essa informação também aparece no leitor) que vai dizer: esse chip eu vendi para a clínica Cão.com em Florianópolis, por exemplo. Eles fazem contato com a clínica, que faz contato comigo. Pelo menos foi assim que o veterinário me explicou.

 

Como funciona na Europa

Se você vier morar na Europa, dependendo do país isso vai funcionar de forma diferente. Na Alemanha, onde eu moro, por exemplo, você é obrigado a registrar o seu cachorro na administração municipal e, quando fizer o registro, informar o número do microchip, bem como o seu endereço. Logo, qualquer policial aqui pode encontrar um cachorro perdido e trazer de volta pra casa.

Aconteceu com a minha “hosting family”. A Lamba, cachorra deles, é super fujona, mas normalmente ela volta pra casa sozinha ou trazida por algum vizinho. Mas teve um dia que nada dela aparecer… A família estava tranquila, pra minha surpresa, porque sabem que ela poderia ser facilmente identificada. Dito e feito! Algumas horas mais tarde chega uma viatura de polícia, que encontrou a Lambda perambulando sozinha nas ruas, eles foi identificada com o leitor de microchip, que informou quem eram os donos e qual o endereço do cachorro. Claro que eles ouviram algumas recomendações pra tomar mais cuidado e tals, mas ela voltou pra casa sã e salva.

 

Lei de importação de animais para o território europeu, provenientes do Brasil

Ter um microchip pra levar o cachorro pra qualquer país da Europa é lei!

A obrigatoriedade do chip está descrita no Regulamento CE n. 998/2003, que exige como identificação microchip implantado na pele, sendo que só serão aceitos chips em conformidade com a norma ISO 11784, ou identificado com uma tatuagem, se for comprovado que esta é anterior a 3 de julho de 2011.

 

Precisa usar microchip no Brasil?

Algumas cidades brasileiras exigem o microchip, não tenho a lista completa de cidades mas sei que em Curitiba e São Paulo o uso é obrigatório.

Na minha cidade natal, por exemplo, um projeto de lei aprovado em 2010 obriga a identificação dos cachorros através de um microchip, mas ninguém sabe e ninguém faz. Até mesmo os veterinários não conhecem essa lei, então o negócio não funciona muito bem em Florianópolis.

 

Onde encontrar o microchip?

O microchip é encontrado e implantado diretamente nas clínicas veterinárias. Nem todas oferecem esse serviço, mas sugiro que você comece perguntando para a clínica que você já leva o seu cachorro. Caso eles não tenham, pode ser que consigam indicar alguém ou, em último caso, procure no Google. O seu microchip deve ser regulamentado pela ISO 11784, caso contrário, não é aceito na União Europeia.

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida sobre essa etapa do processo, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Passo 3

Vacina antirrábica e titulação sorológica

 

Vacina antirrábica

Quem tem cachorro sabe que existem muitas vacinas obrigatórias para proteger a saúde dos nossos bichinhos. Uma vez por ano Pepe toma a vacina polivalente (V8 ou V10), a leptospirose, a antirrábica e giardíase. Também tem uma vacina pra gripe canina, mas essa eu dei uma vez e a Pepe teve reação, então não dei mais.

Mas para levar seu cãozinho pra a Europa, somente uma vacina é importante: a antirrábica.

Essa é uma vacina responsável pela imunização contra a raiva, a zoonose mais perigosa que existe. Ela afeta o sistema nervoso, é contagiosa e fatal.

Muitas vezes a vacina antirrábica não é eficaz em determinado cachorro. Acredito que isso possa depender da marca da vacina e/ou do organismo do cão. Portanto, não basta apresentar a carteirinha de vacinação na hora de ir para a Europa. O Regulamento CE n. 998/2003 exige um teste realizado por um laboratório credenciado pela União Europeia, pra verificar se o seu animalzinho está mesmo imunizado.

 

Titulação sorológica de anticorpos antirrábicos

Trata-se de um exame de sangue, que pode ser feito somente a partir de 30 dias após a data da última vacinação contra a raiva.

A coleta do sangue pode ser feita em qualquer clínica veterinária, que vai enviar o sangue para ser examinado por um laboratório credenciado em São Paulo. Então, vale ressaltar que você não precisa levar o cachorro para São Paulo, como eu achava no início, caso você more em outro lugar. Você faz a coleta na sua cidade mesmo.

Quando eu fiz essa titulação, somente o Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura Municipal de São Paulo estava fazendo esse exame. O Instituto Pasteur também é credenciado, mas estava temporariamente impedido. Porém, sugiro que você verifique as duas possibilidades para ter uma informação mais atualizada.

O resultado do exame leva 1 mês para chegar, mas o exame é vitalício. Ou seja, uma vez que o resultado deu positivo, seu cachorro não precisa repetir o exame. Ele recebe um certificado, ou seja, uma titulação sorológica de anticorpos antirrábicos que vale enquanto o cachorrinho viver.

Não sei o motivo, mas você precisa esperar 3 meses para viajar a partir da data da coleta do sangue. Por exemplo, Pepe coletou o sangue dia 21 de janeiro, então ela só pôde viajar a partir de 21 de abril. Por isso é importante se programar com bastante antecedência.

Para realizar esse exame, o microchip é obrigatório.

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida sobre essa etapa do processo, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Passo 4

CZI – Certificado Zoosanitário Internacional

 

Providenciando a papelada

O Microchip implantado, Titulação Sorológica de Anticorpos Antirrábicos em mãos, agora é hora de providenciar a papelada.

O Certificado Zoossanitário Internacional – CZI é um documento emitido pelo Ministério da Agricultura, através do Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). Você pode encontrar um posto do Vigiagro em aeroportos, portos e em pontos de fronteira. Você vai querer procurar no local onde sua viagem vai iniciar.

O CZI tem validade de 10 dias, então eu preciso providencia-lo apenas alguns dias antes de chegada no país de destino. No caso da Pepe, fiz o CZI 3 dias antes do embarque.

Para fazer o CZI é preciso apresentar:

  • Certificado do microchip;
  • Resultado do exame sorológico;
  • Carteirinha de vacinação;
  • Atestado de saúde emitido por veterinário até 3 dias antes de dar a entrada no CZI.

Não precisa levar o cachorro. Alguns Vigiagros exigem hora marcada.

A documentação listada acima, somada ao CZI, deverá ser apresentadas também para a Cia aérea na hora do embarque e na imigração do país de destino.

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida sobre essa etapa do processo, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Passo 5

Cia aérea e caixa de transporte

 

Escolhendo a cia aérea

Cada cia aérea tem uma regra diferente pra viajar com animais domésticos, então deve-se consultar as informações no website da empresa. Mas basicamente você vai ter que:

  • Observar o peso e tamanho do cachorro, para ver se ele pode viajar na cabine ou se precisa ir no bagageiro;
  • Comprar uma caixa de transporte, chamada de kennel, conforme as especificações de cada cia aérea;
  • Após comprar a passagem, telefonar na empresa e solicitar o transporte do cachorro;
  • Apresentar a documentação necessária no check-in;
  • Pagar uma taxa que varia de cia para cia.

A Pepe é pequena e pesa 4,5kg, então pôde viajar na cabine. Eu não sei se teria coragem de transportar ela no compartimento de cargas. Pensando nisso e no meu gosto por viagens, vou tomar o cuidado pra sempre ter cachorros pequenos.

 

Comprando a caixa de transporte

O kennel é uma novela, porque cada cia tem um padrão diferente. Eu comprei minha passagem na Lufthansa, mas o voo de Florianópolis para o Rio de Janeiro foi operado pela TAM. Então, tive que comprar o kennel padrão da TAM para voar até o Rio, depois tive que trocar a Pepe para o kennel padrão Lufthansa pra voar para a Alemanha.

Muitos pensam que você compra o kennel padrão na Cia aérea, mas não. Você deve procurar em pet shops, agropecuárias ou online.

No caso da TAM, eles indicam uma marca que tem as especificações exatas. Eu entrei no site da marca para ver o número de telefone da fábrica, perguntei se eles vendiam em Florianópolis, fiz contato com o pet shop que vende e encomendei um.

O kennel da Lufthansa foi mais complicado. Tive que correr vários pet shops da cidade, com uma fica métrica na mão, procurando o que estava dentro das medidas máximas. Só encontrei um modelo.

No final das contas, nenhuma cia conferiu se o kennel atendia as normas, pelo menos milimetricamente, mas eu não quis correr o risco de Pepe não embarcar.

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida sobre essa etapa do processo, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Passo 6

No avião

 

Se preparando pra viagem

Antes de viajar, precisei tomar algumas providências, além do que já foi citado neste blog:

  1. Comprar fralda para a Pepe usar durante a viagem;
  2. Separar um saquinho com biscoitos caninos;
  3. Deixar uma toalhinha e saquinhos plásticos na mão, caso precise limpar algo;
  4. Levar um echarpe no pescoço que pode socorrer a Pepe na hora do frio (uma manta daria trabalho para carregar).

Feito isso, embarcamos…

 

Viajar com cachorro pela TAM

O check-in foi bem enrolado. Parecia que a atendente era nova e não sabia como fazer, então demorou mais do que o habitual. A menina conferiu, ou fingiu que conferiu, a documentação da Pepe nessa hora.

Depois do check-in, você tem que ir em outro balcão e pagar a taxa para transportar o cachorro.

Ainda bem que o voo é curto até o Rio de Janeiro. Com cachorro, você não tem direito de comprar a poltrona conforto e é obrigada a viajar na janela, então eu fiquei beeeem apertada.

Pepe ficou bem quietinha e bem acomodada o voo inteiro. Ela era obrigada a ficar dentro do kennel e este tinha que ficar o meu pé.

 

Viajar com cachorro pela Lufthansa

No Rio de Janeiro eu troquei a Pepe de kennel e fiz o check-in sem mistério. Eles não quiserem conferir a documentação.

Em seguida fui numa salinha para pagar a taxa de transporte.

Tanto no voo do Rio para Frankfurt, quanto no voo para Hannover, as comissárias ajeitaram as coisas para eu ficar com duas poltronas livres e viajar mais confortável. Além de ter ficado no corredor, o que te deixa menos trancada. Pepe ficou no chão em uma poltrona  ao meu lado enquanto eu pude esticar as pernas na minha.

Na hora das refeições Pepe chorou um pouquinho, sentido o cheiro da comida. Então eu abri o zíper do kennel e dei um pouco de comida para ela. Em alguns momentos ela ficou com o kennel aberto, mas ninguém reclamou.

 

Nos aeroportos

Nos aeroportos eu podia ficar com Pepe no colo, mas em Frankfurt ela não queria sair do kennel. Talvez ela tivesse sentido desconforto, mas não reclamou. Acho que ela estava feliz de estar com a mamãe. Porque com certeza ela entendeu que estávamos viajando.

Chegando em Frankfurt, depois de passar pela minha imigração, passei pela imigração da Pepe (leia-se bagagens) e apresentei todos os documentos. Foi muito tranquilo.

Depois dessa primeira viagem, viajei com a Penélope mais uma vez para o Brasil, ida e volta. A experiência com a Lufthansa é sempre positiva, mas com a TAM…

 

Acho que é isso, mas se você ainda tiver alguma dúvida sobre essa etapa do processo, envie um e-mail para falecom@danitabalipa.com.br.

Tenha uma ótima viagem!

Esses artigos foram publicados originalmente em 2013 no blog Penélope (um cão) na Europa.

Confira as minhas publicações mais recentes no blog Dani Tabalipa.